A copa em que o jogo perdeu a graça
Eu tinha doze anos em 1974, e lembro com a clareza de um dia ensolarado que, na final da copa do mundo de futebol, encantado com o carrossel holandês e com a magistral atuação de Johan Cruyff, dos irmãos gêmeos René van de Kerkhof e Willy van de Kerkhof, e com a facilidade com que aquela seleção jogava, meu pai apostou uma cabeça de porco assada com um vizinho, como certa a vitória contra a Alemanha. A vitória não veio. A cabeça de porco custou uns poucos cruzeiros que não comprometeram o orçamento familiar e foi consumida com alegria pelas duas famílias reunidas. Os tempos mudaram. É com surpresa, e um preocupante grau de decepção, que a copa do mundo se vendeu às bets que, no Brasil dominam o capital nos sistemas de transmissão dos jogos. Isso não seria relevante, não fosse a crescente onda de estragos que o vício em apostas vem fazendo em nosso país. São jovens que desviam o dinheiro da formatura pa...