Os últimos
Depois do momento de tristeza após a morte da cadela Batuta, Antônio jurou nunca mais criar cachorros. Já estava com sessenta e três anos e havia perdido a conta de quantos mascotes tivera e de quantas lágrimas derramara a cada perda de um amigo peludo. Nos últimos doze anos, Batuta foi quem fez companhia ao casal sexagenário com suas brincadeiras, correrias e com o sempre bem-humorado semblante canino. À medida que envelheceu, tornou-se mais tranquila, aconchegava-se junto a eles no sofá e dormia placidamente no tapete ao lado da cama. Determinado a não ter mais mascotes, recebeu, algumas semanas depois, a visita da filha, acompanhada dos dois netos. A pequena Luiza entregou ao avô uma caixa de sapatos com alguns furos na tampa e, ao abrir, o homem deparou-se com uma bolinha de pelos. O cachorrinho não devia ter mais do que dois meses, era branco, com algumas manchas pretas pelo lombo, a cabeça também era preta, com uma linha em forma de “V” alongado que iniciava ...